sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Só faltaram os foguetes

Quando faleceu a avó materna da minha mulher, a família decidiu mandar rezar missa do 7º dia no local onde ainda agora moramos, apesar de o óbito se ter registado no Alentejo.
Para melhor enquadrar está estória, interessa saber que a minha mulher tem, ainda hoje, a característica tremendamente irritante (que nem o meu sentido de humor aguenta eheheh) de se rir, que nem uma perdida, quando o Mundo está prestes a desabar, facto agravado pelos loucos vinte anos que ela tinha, à data destes acontecimentos. Casada havia pouco mais de um ano, nem por isso tinha mais juízo.
A missa foi rezada numa capela muito velha, por um padre com pronúncia acentuadamente italiana, tendo como ajudante - ou sacristão - um puto nosso vizinho de um loiro quase branco e óculos de fundo de garrafa, de seu nome "Zé Galinhas" (o verdadeiro nome do "artista" era mesmo José X. Galinha X.).
Eu nunca percebi muito bem os preceitos de uma missa (apesar de ter feito a 1ª comunhão à pressa), mas toda a gente sabe que nos funerais ou cerimónias afins, como era o caso, o padre refere várias vezes o nome do defunto.
Ora a avó da minha mulher chamava-se Antónia, mas o padre italiano meteu na cabeça que era "António" e de cada vez que se referia "à nossa irmã António", a minha mulher e a irmã (um ano e pouco mais nova), tinham de abafar uma risada. Para "animar" ainda mais a missa, todas as vezes que o padre se enganava, o "Zé Galinhas" corrigia-o com um sussurro, audível na pequena capela : - "Antónia", sr. padre… e o padre repetia – "à nossa irmã Antónia". Mas da próxima vez, esquecido da recomendação do sacristão, lá voltava a repetir "à nossa irmã António", o "Zé Galinhas" voltava a corrigir: - "Antónia", sr. padre… o padre repetia a lengalenga e elas tentavam abafar a custo uma nova e mais sonora gargalhada.
As coisas tomaram tal proporção que a minha sogra, sentada na primeira fila, já olhava para trás e deitava chispas pelos olhos, por ver a filhas "fazendo figuras tristes" eheheh.
Mas quando as coisas já tinham atingido um ponto que ninguém imaginava que pudessem piorar, eis que chega aquela parte da missa em que as pessoas se levantam (ainda não percebi porquê) e começam a rezar de pé.
Os bancos corridos da improvisada capela, não eram presos ao chão e na ponta daquele onde a minha mulher e a irmã estavam sentadas, tinha ficado a minha mãe, já com os joelhos todos "empanados" pelo reumático. Quando toda a gente se levantou, a "velhota" não acompanhou o movimento e o banco, cedendo ao peso da idade e do reumático (LOL) levantou a outra ponta, deixando a minha mãe estatelada no "soalho" da capela.
Foi a gota que faltava para que aquelas duas alminhas tivessem que vir para a rua comemorar o 7º dia da morte da avó, com uma barrigada de riso.
Só faltaram os foguetes… eheheh

8 comentários:

Olhos Dourados disse...

LOL, esta história fez-me rir que nem uma perdida. Sabes, às vezes também tenho ataques de riso que me aparecem do nada e às vezes coisas que nem são engraçadas, mas enfim!

mjf disse...

Olá!
Os funerais deviam ser mesmo alegres e festivos....

No fundo a nossa cultura devia ser mudada:=)
A tua mulher e a irmã eram muito avançada para aquela época:=)
eheheeh

Diaboderoupacurta disse...

LOOOL Já vi isso acontecer, é do melhor ahah

*_Clave de Sol_* disse...

Um mimo no meu blog ;)

Lizzy disse...

Fartei-me de rir só de imaginar a cena... hehe

White_Fox disse...

Conheço algumas pessoas que com os nervos se começam a rir que nem uns desalmados. E nos funerais então é o cúmulo!
abraço

Pronúncia disse...

Galo, nem de propósito, conheço uma idêntica que se passou na missa do 1º aniversário da morte do meu avô, que coincide com o dia de Santo António.

O padre estava tão empolgado com a "língua de Santo António, meus irmãos..." e sempre a repetir isto, aos berros e saltinhos, que eu e o meu tio chegamos a uma altura que tivemos que sair da igreja, porque já não conseguíamos conter as gargalhadas... e olha que quando eu "gargalho" é impossível alguém não ouvir num raio de uns valentes metros (a não ser que seja surdo).

Bom fim de semana :)

Patrícia disse...

Bom... quando as irmãs se juntam, ui. Na minha situação a culpa claro que foi das duas irmãs (mãe a tia), e para piorar a situação juntou-se a geração mais nova (minha), composta por mais duas irmãs. E o engraçado é que lá estava também a figura da avó a deitar chamas 'plos olhos. :P
Um dia destes conto porquê!

Padres italianos? Só a pronúncia do homem já dava vontade de rir imagino...! Juntando-se a isso o António, o Zé Galinhas, e a situação da tua mãe... eu também não controlava, concerteza :P
Ainda por cima sou daquelas que se ri com muitas lágrimas...!