segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Estou tão cansado... tão farto desta gente...

A minha médica de família é porreira.
Ela é o que eu chamo "o ideal de médico de família"


Eu dantes não ia à médica de família. Tinha um médico com acordo com a ADSE. Mas um dia tive de ir à médica de família, por causa de assuntos burocráticos relacionados com a minha nova condição de doente crónico, isenção de taxas moderadoras, junta médica e o raio que os parta e cheguei à conclusão que era mais fácil marcar consulta para a médica de família do que para o burgesso da ADSE, que marcava para as 15 horas e aparecia às 20.


A minha médica de família é assídua, não deixa atrasar as consultas (chego a sair de lá antes da hora da entrada lol) e não chateia. Entre dois dedos de conversa de ocasião, passa-me receita para todos os medicamentos que eu quiser e não faz perguntas.
Há tempos pedi-lhe uma caixa de Aulin, de 20 comprimidos e ela passou-me três caixas de 60 comprimidos.
Deve pensar que eu "chupo" anti-inflamatórios, como quem chupa rebuçados, a…






a mula!




Aliás, se ela fizesse perguntas já sabia porque é que eu lá vou de seis em seis meses, quando ela só me passa medicamentos para três meses.




E sabia que os comprimidos que eu tomo para a tensão arterial e que já tomava quando comecei a ter consultas com ela, são muito fortes e foram-me receitados há 5 anos, quando eu atravessava uma fase de grande pressão, de grande ansiedade e não havia nada que me baixasse a tensão arterial. E ficava a saber que eu agora os corto ao meio, sem consentimento médico, porque se os tomar inteiros fico com a tensão baixa.




Por isso é que me duram seis meses.




Mas ela não me pergunta nada, porque ela é…






é uma vaca!




Ela sabe que eu sou hipertenso, mas há mais de três anos que não me mede a tensão.
Mas eu tenho uma máquina em casa (uma máquina boa, não é dessas dos supermercados) e sei medir a tensão.






Por isso quero que ela se foda!




Ela sabe que eu sou doente da pneumologia oncológica, mas em 4 anos e meio só me auscultou duas vezes.






Um coiro, é o que ela é!




Passa-me a vacina (quando há e eu estou disposto a perder tempo a tomá-la) e esquece-se da guia de tratamento e vai de férias e deixa-me "pendurado".






É mesmo um grande coiro!




E olha para as análises feitas no hospital (porque ela nunca me manda fazer análises) e pergunta-me se sou diabético. Sei lá eu se sou diabético... ela é que é médica. Glicémia a 123 é diabetes? Pode ter sido um bolo na véspera... pode ter sido uma bebida com mais açúcar...






eu é que sei?




Mas eu quero que ela se foda. Acho que já tinha dito que quero que ela se foda, mas nunca é demais dizer que QUERO QUE ELA SE FOOOODA!
Para me chatear a "medula", de seis em seis meses, já me bastam os do hospital.



Já me bastam as filas para fazer análises, os jejuns, as "picas", as TACs e a merda dos contrastes e as velhas a discutir, às 7 horas da manhã, por causa de um lugar na fila. As putas das velhas que pensam que não morrem, mas que morrem como os outros, nem que se fodam a discutir o resto da vida. Não há quem cale esta gente? E as 5 horas de espera, sentado num banco corrido de madeira a ouvir a Júlia Pinheiro e a não perceber o aparelho fanhoso de chamada, as dores nas costas, a repugnância de ter de me sentar, de ter de tocar em objectos tocados por gente que vai ao WC e não lava as mãos. Ter de "snifar" o ar saturado de bactérias, ter de correr o risco de não morrer da doença e morrer de uma infecção hospitalar... já ia acontecendo e "gato escaldado, de água fria tem medo"…




os três meses a "comprimir", sem dormir mais do que as duas horas no sofá, a fingir que vejo o Canal de História com legendas em castelhano. Os outros três meses a "descomprimir"… para depois voltar tudo ao princípio…




os passeios no descampado, por cima da minha casa, para pensar, para deitar contas à vida (ou à morte...)




um dia gostava de adormecer e não voltar a acordar.
Foi sempre o que "pedi". Acho que não é pedir muito… adormecer vivo e acordar morto.
Daqui por 500 anos, se puder ser. Porque eu ainda continuo a gostar disto. Apesar de tudo. Apesar das médicas de família... e dos outros.

13 comentários:

Patrícia disse...

Lol, acabei de por um post sobre pessoal que não lava as mãos depois de sair da Wc, lolll. Estamos em sintonia.
Eu não sou médica, mas devias mesmo falar com alguém médico porque não devias tomar Aulin. O uso continuado deste medicamento provoca o colapso dos rins.

Galo (apenas) disse...

Patrícia

Eu sou um doente consciente e só tomo Aulin esporadicamente.
Até porque os meus rins já não estão muito bons, tal como o fígado. Mas ela continua a receitar-me Bezalip, um fármaco que também faz mal ao fígado.
Só há uma hipótese: evitar chouriços e queijos (os responsáveis pelo triglicerídeos) e tomar Bezalip o menos possível.
Depois há outra coisa a ter em conta: para que é que eu preciso dos rins e do fígado, depois de morto?
É "usar" enquanto duram.

Patrícia disse...

Agora parecias uma velha a dizer que não quer morrer, mas que tb morre. Que raio de lógica foi essa???? Tu morres e morremos todos, nng cá fica. Lá por teres uma doença tramada eu até posso morrer antes de ti. Temos é que tratar de nos manter o mais saudável possivel para vivermos mais tempo.
E tu, desde que ascendeste a Galo andas com conversas mto esquisitas. Deve ser da convivencia com as galinhas:P Deixa de falar em morte e vive a vida com a maior intensidade que conseguires.

Patrícia disse...

Mas, por saberes de verdade o valor da vida. Por saberes como é enfrentar a morte e vencer. Por saberes que tens um encontro marcado a cada três meses e por teres consciência que num desses duelos vais acabar por perder. Não percas tempo nesse sofrimento. Eu sei que é fácil para mim falar quando não vivo a situação. Mas a verdade é que tu tens a possibilidade de dizeres sempre o que pensas, dizer o quanto amas as pessoas que te rodeiam, porque tens consciência que pode ser a ultima vez que as ves e não sabes se amanhã estás vivo. Nós, os outros que não lidamos com a morte de mãos dadas, vivemos uma vida de orgulho, de engano para com nós proprios e sempre a queixar-nos de A, de B e de C. Nunca valorizamos as pequenas coisas do dia.
Ter consciência da doença? Sim.
Ter consciência que algum dia o resultado vai ser tu perderes ou teres que enfrentar outra batalha? Sim.
Mas não dar parte fraca. Vive. Vive com os cuidados aos quais és obrigado, mas vive. Com força, com intensidade e sem esperançar nem expectar muito de 3 em 3 meses.

S* disse...

Ha medicos assim, que tratam os doentes como mais um. Nao se lembram que toda a gente sofre... e tem familia!

Cor do Sol disse...

Eu vou à minha de ano a ano ou mais e para encontrá-la lá é um deusmelibre. Ou está doente, ou num congresso, ou de férias...que raiva...e eu que só queria uns exames de rotina. Faxabor.

Patrícia disse...

Ri-me, ri-me mesmo com isto que escreveste!
Elogio o teu bom humor ainda que te sejam muitas as rasteiras da saúde. É bom que o conserves, pois parece-me que ainda andas aqui para durar.
Na minha família os velhos ruins, os tios mais que ruins, as primas somiticas foram sempre os últimos a morrer. Não sei se é mal geral, mas diz-me a minha "experiência de vida", estás mesmo para durar!
Um beijinho Fred!

Anjo De Cor disse...

Mal é de quem precisa, o meu médoco deve ser primo da tua... heheheheheh ;)
Quanto a morte é uma única coisa que temos como certa ao nascer, mas parece que com a idade começamos a ficar com medo dela, acho que a partir de uma certa idade deveriamos ter aulas de apreender a lidar com aquilo que nos espera. Morrer sem medo de morrer, que te parece?

Galo (apenas) disse...

Patrícia (a da vírgula:D)
Acho que tens razão. O S. Pedro não ia lá querer um gajo sempre a reclamar eheheh.
E eu também não estou nada interessado em abalar assim, sem mais nem menos.
Não sei se reparaste que eu quero adormecer vivo e acordar morto, mas só daqui por 500 anos (fosga-se tanto tempo acho que nem eu ia aguentar-me lolol).

Galo (apenas) disse...

Anjo De Cor

O meu problema nem é a morte. É a maneira como se morre.
É verdade que desde que nascemos entramos em contagem decrescente e todos temos a morte garantida. O que eu não queria era morrer já e muito menos sofrer. Não é preciso tanto para morrer. A mim bastava-me não voltar a acordar, mas como já respondi à Patrícia, gosto tanto disto que quero andar por cá mais 500 anos. Mesmo tendo que aturar a cambada.

Olhos Dourados disse...

A minha médica de família tem dias...

mjf disse...

Olá!
A minha médica de familia é uma querida:=)
:=))
Do melhor....aliás melhor seria impossivel...conhece-me melhor que eu...
Mas porque eu mereço...
ehehehe

Beijocas

Patrícia disse...

500 anos dava para apodreceres e criares uma pandemia só com o teu nome, derivada das bactérias por ti criadas.
é bom que repenses nesses 500 anos. 150 já se conservam muito bem =)