segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Todos diferentes, todos iguais

Se não perante a tantas vezes esquecida Declaração Universal dos Direitos Humanos, pelo menos na óptica da PSP "Todos os seres humanos são iguais (ou parecidos, vá...), sem distinção de raça, de cor (especialmente de cor), de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação".
(Adaptação do artigo 2º da mesma Declaração)

A história que vou contar é verídica, passou-se já este ano na região da Grande Lisboa e foi-me contada em primeira mão pelo protagonista que é meu vizinho.

Homem do norte na faixa etária dos trinta, casado, pai de dois filhos, pedreiro de profissão (trolha), obrigado a abandonar a terra natal à procura de sustento, depois da conclusão do 12º ano, como tantos outros residentes na localidade cultiva uma pequena horta situada junto ao leito do ribeiro ladeado de canaviais. Um destes dias, depois de ter regado as couves, mal tinha entrado no canavial decidido a cortar umas canas que lhe serviriam de suporte ao feijão verde, deu por um berreiro que nem sabia bem de onde vinha e em que alguém gritava:
- Mãos ao ar, caralho. Põe as mãos em cima da cabeça e mantém-te quieto, ou eu fodo-te já os cornos, filho da puta.
Atónito e ainda a procurar por perto a origem de tão estranha ordem e alguém a quem a mesma se destinasse, este pacato cidadão dá-se conta de que a gritaria é consigo, e de que tem a pouco mais de um metro de distância um agente da PSP e uma espingarda apontada à cabeça.
- Espere lá, ó senhor guarda, mas afinal o que é que vem a ser esta merda? Eu ando só a tratar da horta…
- Já te avisei, caralho. Dás um passo, que seja e eu fodo-te já os cornos.
Entretanto, no meio da tentativa frustrada de convencer o agente de que só andava a tratar da horta, o homem vê chegar outro agente afogueado que, depois de o mirar dos pés à cabeça, diz para o colega:
- Não é este, caralho. Vamos embora!
Abalam os dois agentes, ladeira acima e de seguida ouve-se mais gritaria e um pouco mais adiante os restantes agentes gritam uns para os outros - o gajo está aqui, o gajo está aqui!
Seguindo os dois agentes mas proibido por um terceiro de se aproximar demasiado do palco onde se desenrola a cena, o meu vizinho ainda consegue ver o criminoso ser algemado e metido dentro da viatura e é informado por outro agente de que a polícia vinha em perseguição de um carro roubado que não parara numa operação stop.
Então vira-se para o agente que o mantivera à distância e queixa-se:
- Foda-se, senhor guarda, mas isto é assim? Chega-se assim ao pé de um gajo que não está a fazer mal nenhum e aponta-se-lhe uma arma à cabeça? O seu colega quase me matava por engano.
- Desculpe lá, amigo, mas é que o tipo é parecido consigo.
- Foda-se! Parecido comigo, caralho? Então o gajo é preto e eu sou branco… eheheh

5 comentários:

Olhos Dourados disse...

LLLOOOOOOLLLLL

Patrícia disse...

LOL
Ai pá. Isso não pode ser real! Onde é que esta gente anda com a cabeça? LOL

"Ai Jesus Cristo, vem cá abaixo ver isto!"

S* disse...

Nitidamente à procura de um culpado... lol

Pronúncia disse...

Pois, agora lembrei-me da anedota dos dois compadres que não distinguem os porcos de cada um... e os bichos é que sofrem! Apesar de um ser branco e o outro preto :D

Patrícia disse...

LLLLLLLLLLOOOOOOOOLLLLLL. O bofia era daltónico. LOL