terça-feira, 14 de julho de 2009

Egoísta, eu?

Há dias, uma das televisões generalistas (talvez a SIC) passava uma reportagem onde, através de várias entrevistas de rua, era posto em evidência um estudo que aponta para o aumento do egoísmo nas sociedades modernas, cada vez mais materialistas, como é a nossa. Espantava-se a repórter e espantaram-se, certamente, os espectadores, como se os males da sociedade fossem os males dos outros, porque nós somos sempre os seres melhores e mais altruístas do Mundo.

Entre todos os entrevistados não houve um único que fosse capaz de dar, incondicionalmente, a vida por alguém, familiar ou amigo. No entanto eu não acredito que seja esse o melhor "barómetro" para avaliar o altruísmo ou o egoísmo de alguém, muito menos de uma sociedade composta por gente de tantas e tão variadas raízes culturais. Ao contrário dos entrevistados, eu não tenho qualquer dúvida em garantir que daria a minha vida, pelo menos por duas pessoas, sendo certo que isso não me tornaria menos egoísta do que alguém que possa garantir o contrário.

Eu daria, incondicionalmente, a minha vida pela minha filha ou pela minha mulher, ou pelas duas em simultâneo ou, ainda, se tivesse duas vidas, daria uma por cada uma delas sem regatear "preço" ou condições. Mas isso só me tornaria o maior dos egoístas pois só o faria porque não consigo imaginar a minha vida sem as delas.
Depois, a minha vida vale tão pouco, que trocá-la, nem que fosse pela de um cão, poderia ser considerado, sem ofensa, um acto egoísta de valorização pessoal.

E agora vou então às tais férias improvisadas em cinco minutos, depois de uns pratos de caracóis e umas bejecas.
Este texto ficará agendado para um dia destes.
Fiquei bem!

5 comentários:

Patrícia disse...

Conseguiste dar uma reviravolta a isso de uma tal maneira que até a mim me espantou...
Bom pela tua conclusão, num acto de dar ou não a vida, seremos egoístas quer a demos quer não... Ok! Prefiro pensar que dizer que a damos todos o podemos dizer, passar isso para a prática é que talvez nem fosse bem assim.

Seria capaz de dar a vida por um filho, mas não tenho! :P
Seria capaz de a dar também pela minha irmã.
Já com a minha mãe, por muito que me faça falta, e num acto de egoísmo fundamentado em relação ao factor idade, não daria a minha vida 'pla dela. Tenho 20 e poucos anos, ela já vai na casa dos 40, é uma boa desculpa, não? :P

Boas férias ! Vinga-te dos meses de trabalho, todos todos!
Boa caracolada e muita canecada!

Olhos Dourados disse...

Bem, realmente uma pessoa pode ser egoísta na mesma! hehehe

Patrícia disse...

Pois eu concordo inteiramente ctg. Dava a minha vida pela do meu filho sem sequer pestanejar, porque francamente não consigo sequer imaginar a minha vida sem ele, qto mais ter que viver sem ele.

Anjo De Cor disse...

Dar a vida por alguem não me parece que seja um bom calculo do grau de egoísmo da nossa sociedade...

Bjs* e boas férias ;)

Pronúncia disse...

Se a jornalista queria auferir sobre o grau de egoísmo dos Portugueses, eu diria que escolheu um mau exemplo, ou então colocou a fasquia muito alta.

O egoísmo pode, e deve, ser medido por coisas bem mais pequenas e insignificantes. Essas sim, demonstram bem até que ponto somos egoístas.

Boas férias :)