quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Venham saber mais sobre mim.

A grande "meistra" Patrícia, do blogue O diário da estagiária, propôs-me que publique uma lista com oito características que, penso, melhor me definam.
Confesso que não foi tarefa fácil pois, como podem ver logo pela primeira, não é coisa que eu faça com muita facilidade.

1 - Uma das minhas características mais vincadas, é que tenho imensa dificuldade em definir as minhas características.
Se eu fosse um medicamento, seria um genérico, de certeza.

2 - Sou ansioso por natureza (ihhhh, tanta gente que eu oiço dizer o mesmo). Qualquer problemazito se transforma numa bola que depois me sobe até às "goelas", me sufoca e me põe a andar de um lado para o outro, como uma fera enjaulada do Circo Cardinalli.

3 - Sou capaz de dizer as piadas mais disparatadas nos locais e ocasiões menos próprios.
Já me vi forçado a sair de um velório para rir na rua, depois de ter "largado" uma daquelas piadas que a hipocrisia dos velórios propicia.
Um dia algum morto ainda se levanta e vem a correr atrás de mim eheheh.

4 - Sou um bocado alarve a comer e, talvez fruto de algum trauma de infância, quando a miséria era maior do que a fartura, gosto de sentir a segurança de um frigorífico bem abastecido.

5 - Considero-me um tipo de confiança. Depois de assumida uma posição, não volto atrás perante a perspectiva de vir a sair prejudicado no "negócio". Sou, portanto, um péssimo negociante.

6 - Acho que sou um pouco solitário. Gosto do convívio, especialmente da família nuclear, mas preciso do meu "espaço". Não sou muito de visitar nem de receber.

7 - Gosto de andar a pé e de pensar. Andar a pé em locais ermos e frios, proporcionam-me o isolamento ideal de que necessito para pôr as ideias em dia.

8 - Parece que com a idade estou a ficar mais "intuitivo". Ainda não cheguei àquela fase em que um homem "não tem dúvidas e raramente se engana", mas o meu dedo mindinho cada vez acerta mais. Só não acerta é nos números do Euromilhões.

E pronto, ficaram assim a saber mais um pouco sobre mim (já faltou mais para saberem a cor das minhas cuecas eheheh).
Como vem sendo hábito - até porque os desafios andam tão disseminados que dificilmente arranjaria alguém que não tivesse respondido a este - considerem-se todos convidados.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

E se estivesses calado?

Chegou e disse.



Tirou o chapéu e foi-se.

E aqueles portugueses ingénuos que ainda acreditam que daquela boca possa sair mais do que migalhas de Bolo-Rei e que há mais de três quinze dias esperavam toda a verdade sobre as polémicas escutas, acabam por ficar na dúvida se foi a montanha que pariu um rato, ou se foi um rato que pariu uma montanha de disparates, dignos de um miúdo da escola primária.
Vai-se a ver e a responsabilidade desta polémica idiota ainda vai recair sobre algum continuo da presidência da república.
Ora eu penso que não é para este tipo de tricas de cabeleireiro e manicura que nós pagamos aqueles milhões todos que se gastam com esta gente.
Puta que os pariu!

Só me faltava mais "esta"

- Então pai, como é que correram os exames?
- Correram bem!
- Com uma cara dessas e correram bem?
- Com que cara é que tu estavas se tivesses sido multada, por excesso de velocidade, num local onde estás farta de saber que a "bófia" monta "emboscadas"?
- O quê, foste multado? (já com cara de gozo) Não acredito!
- em 120€!
- Ora, deixa lá os 120€. O que importa é que que correu tudo bem e "estás aí prás curvas". Tens é que ter mais cuidado com as rectas (gargalhada geral).

Aproveito para agradecer a toda a gente que aqui deixou uma palavra de carinho, sem as recriminações que eu bem merecia (a ver se deixo de ser "acelera").
De resto, não há motivos para grandes comemorações. Digamos que "comprei" esta vida a crédito e hoje apenas paguei mais uma "prestação" semestral que me vai dar algum alívio nos próximos três a quatro meses. Depois começa a infernal "descida a pique" até bater bem no fundo e, lá para Abril, pago mais uma prestação e volta tudo ao início.
Até lá vou fazendo os possíveis por "curtir" alguns momentos de prazer, agora ainda mais limitados (no que toca a petiscos...) por causa de uma ligeira subida da glicemia.
Ou dieta, ou diabetes!
:-(

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu mereço um fardo de palha

Eu hoje devia estar assim



porque os meus exames deram todos negativo e porque fui especialmente bem atendido e porque o meu médico em Sta. Maria é um espectáculo e porque, ao contrário do habitual, eram 10:30h e já estava despachado...
Mas estou assim



porque nesta avenida dos "arrabaldes" de Lisboa, que tem seis faixas de rodagem e 1Km entre os dois semáforos mais próximos, sem passadeiras nem cruzamentos (nem passa por ali ninguém a pé),



situada entre quintas e baldios de um lado e os estaleiros do Metro, do outro – como comprova a foto seguinte,



tem um limite de velocidade de 50Km/h e eu passei a 78Km/h, apanhando assim a primeira multa da minha vida.

Eu não estou contra a autoridade por fazer cumprir a lei. Estou contra mim, porque a euforia me fez esquecer esta "emboscada" que tão bem conheço e porque a manhã de hoje ameaçava trovoada – chegando mesmo a chover, por volta das 7 horas da manhã – e é sabido que nas primeiras chuvas de Outono, os ratos saem dos esgotos.
Mas como não é o dinheiro que faz a minha felicidade, que se fodam os 120€, porque eu não vou permitir que três talibãs "emboscados", me estraguem um dia que tanto esperava há seis meses.

Por isso senhores "ratos de esgoto", pra vocês aqui fica um belo manguito e um conselho:


Troquem os meus 120€ em moedas de dois euros e entretenham-se a enfiá-los pelo cu uns dos outros acima. Pode ser que vos saia um Jackpot.

O que me deixa mais fodido, é ser multado por uma merda de 78Km/hora, num local onde toda a gente - incluindo eu, que não sou santo - passa entre os 100 e os 120 e haver tantos locais perigosos que não são fiscalizados.
Batam-me, porque eu mereço.
Mereço por não respeitar a lei e mereço por ser tanso.
Toda a gente sabe que a "bófia" se esconde na urbanização do Albarran... que, por acaso, nem tem saída directa para a avenida em questão.
Dassssse!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Acontece aos melhores (como eu ;PPP)

Este texto (enorme) é dedicado à Patrícia, do "Vírgula Voadora", que teve um azarzito com a carta.
Olha prós "calhordas" à tua volta e não desanimes.
Como acontece com toda a gente, logo aprendes a conduzir quando tiveres carta.

Eu sou um tipo muito nervoso, muito acelerado, a quem o mais pequeno problema tira o sono. No entanto encarei sempre os exames com uma "descontra" que os colegas até ficavam parvos. Nos meus tempos de estudante (trabalhador estudante, diga-se), como aluno auto-proposto, tinha de fazer exames a todas as disciplinas (os alunos da escola tinham a hipótese de dispensar exames, caso as notas o permitissem, mas para quem estudava "por conta própria" não havia "abébias").
Adoptava sempre a "filosofia" de que pelo menos sabia metade da matéria, o que já dava direito a um 10. Se conseguisse acertar mais alguma à sorte, tudo o que viesse era lucro. Tive até um caso caricato com Físico-química.
A empresa onde eu trabalhava disponibilizava salas e pagava a professores, normalmente engenheiros da própria empresa e um ou outro contratado no exterior.
Arrancávamos com metade das disciplinas do curso e ao fim de seis meses propúnhamo-nos a exame. Nada desta brincadeira que se vê agora, com as novas oportunidades, porque a conclusão do curso dependia sempre da escola (neste caso a Afonso Domingues), que nutria uma certa antipatia por uns tipos que caiam ali de pára-quedas e que, por acaso – ou talvez não – mesmo sujeitos a exame nacional, obtinham notas superiores à média dos alunos "residentes". Há que ter em conta que estou a falar de um curso que substituiu o antigo industrial (Curso Geral de Mecânica) e de alunos com 20 anos, ou mais, no ramo da metalo-mecânica e nestas coisas a prática e a maturidade são extremamente importantes.
O meu orientador de físico-química era um antigo camarada da "ferrugem" que tinha chegado a engenheiro. O Eng. H. era um tipo do melhor que há, como pessoa, mas foi sempre um "baldas" e um desorganizado do caraças. Lembro-me dele ainda éramos putos e enquanto nós já estávamos no local de trabalho, o H. ainda vinha a correr pela avenida com 500m de comprimento que atravessava a empresa, a enfiar o casaco de ganga e com as botas desapertadas e a fralda da camisa de fora. Como pessoa não lhe subiu o "canudo" à cabeça e continuou a ser um "bacano", mas como professor era uma desgraça eheheh. Bastava que algum "rabo de saia" lhe desse dois dedos de conversa e lá se ia uma aula pró "maneta". E como não percebia grande coisa de química, mesmo que ninguém lhe desse conversa ele tratava de a procurar.
Resultado: passados 4 dos seis meses de aulas, o H. ainda não tinha "tocado" na química.
Um dia já estava tão farto do H. que resolvi desistir de físico-química. Passadas duas aulas a notícia chegou aos ouvidos do H. (distraído como era, provavelmente nem tinha dado pela minha falta eheheh), que me apanhou à entrada da "Formação e Aperfeiçoamento" e já não me largou.
- Porque tens de ir a exame, porque tu até te "safas" bem e porque vou começar agora a dar química e bastam meia dúzia de aulas para dar a matéria que falta e bla, bla, bla, whiskas saquetas.
Não vou! Não vou! E não vou! Não vou fazer figuras tristes para a Afonso Domingues e o meu curso acabou aqui, foi a minha resposta.
Por acaso as inscrições para exame tinham sido na semana anterior à minha desistência e, uma vez que tinha pago a inscrição, ir a exame dependia apenas da minha vontade.
Foi então que um colega de um nível mais adiantado veio ter comigo e me chamou à razão.
Não ligues ao artolas do H., porque ele já fez o mesmo comigo. Sabes que o gajo é sempre a mesma merda e com essa teimosia o único prejudicado és tu. Vai comprar o livro do ano passado, porque o deste ano não vale nada, estuda a parte da química, que está muito bem explicada e vai a exame.
E fui.
E o H. quando me viu na escola, no dia do exame, não sabia se havia de rir ou chorar, porque eu tinha desistido das aulas dele mas era muito capaz de o envergonhar com uma boa nota.
E envergonhei. Tirei um 15 que, por acaso, foi melhor do que a dos tipos que não desistiram das aulas do H.

Esta conversa toda era só para dizer que um "rapaz" que nunca se enervava nos exames, fez uma figura triste no exame de condução. Não chumbei, mas para quem estava habituado a andar de mota sempre a "abrir" no meio das filas de carros na 2ª Circular, ia sendo uma vergonha. Em grande parte porque o meu instrutor também não foi muito inteligente. Na véspera de me levar a exame é que se lembrou de mudar o disco de embraiagem. Está-se mesmo a ver que no primeiro arranque a subir, deixei logo o motor ir abaixo. E a partir daí, não sei se por ver a confiança traída ou porque carga d'água, entrou-me uma "tremideira" nas pernas como nunca me tinha acontecido.
Tive um bom examinador. Cara de pau, ao princípio, mas de uma humanidade fora do vulgar, olhou para mim, olhou para a papelada que tinha na mão e perguntou-me:
- Sr. J., costuma ver Fórmula1? Já reparou que os tipos também deixam o motor ir abaixo e não ficam com as pernas a tremer? Então você, um homem habituado a lidar com metralhadoras e granadas (ler a minha ficha já era indício de algum interesse pelo que estava a fazer. É um pouco como os profs que ao fim de duas aulas já sabem o nome dos alunos) fica-me com as pernas a tremer, só porque não arrancou à primeira? Vamos lá embora que ainda tem mais duas hipóteses de falhar e eu tenho que ir hoje para Santarém.
E a partir dali mandou-me fazer todas as manobras (marcha atrás, estacionamento, inversão de marcha, etc.) em subidas ou descidas.
No fim passei no exame, mas fiquei tão desiludido comigo, por não ter conseguido a prova limpa que eu sabia ser capaz de fazer, que nem comemorei a passagem no exame.
Foi em Abril mas estava um calor de trovoada que ainda hoje me sufoca, só de me lembrar. Entrei no café do meu bairro, pedi uma "bica" e fiquei a olhar através das pessoas e das paredes.
Quem sabe não começaram aqui os meus dias de prostração, como o de ontem.